sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nós vivemos no presente?

Nós vivemos no presente?



O que é o tempo? O que é o presente, o agora? O que percebemos a nossa volta corresponde ao mesmo tempo que elas acontecem?



Tempo segundo a Física

Na física newtoniana, o tempo é um ente absoluto, que transcorre na mesma “velocidade” para qualquer referencial, ou seja, para qualquer movimento que tenhamos, perceberemos o tempo passar da mesma maneira.

Einstein com a teoria da relatividade mudou radicalmente isso, no início do século XX. Primeiramente, Einstein diz que a velocidade da luz no vácuo (aproximadamente 300.000 Km/s) é constante para qualquer referencial, ou seja, mesmo que você se mova a uma velocidade de 200.000 Km/s em relação a uma fonte luminosa, você verá a luz com velocidade de 300.000 Km/s. E ainda mais, que esta velocidade é a maior possível, nada pode se mover com valor acima. E que implicações tem esses postulados? São a de que o tempo e o espaço não são absolutos, isto é, que para cada referencial em movimento, percebe-se o tempo e espaço diferentemente. Quanto mais nos movimentos próximos a velocidade da luz, mais o tempo passar mais devagar. E isso não é uma percepção psicológica. Isso de fato ocorre. E por que não conseguimos perceber no nosso quotidiano? Pelo fato de as velocidades com que nos deslocamentos no dia-a-dia estão muito abaixo da velocidade da luz. Mesmo num avião supersônico que se mova a 1.200 m/s , está muito abaixo de 300.000 Km/s. Em nossas simples vidas, o tempo descrito por Newton é bem satisfatória.

Resumindo:
a maior velocidade que é possível se mover é cerca de 300.000 Km/s;
a velocidade da luz é a mesma em qualquer referencial;
o tempo passa de maneira diferente para referenciais diferentes;



Tempo psicológico

A maneira de como sentimentos o tempo passar no quotidiano depende muito do nosso estado emocional, psiquico. De fato, quando estamos fazendo coisas que nos agradam, que nos dão prazer, o tempo parece voar, horas parecem minutos... e, ao contrário, quando estamos em situações de aflição, perigo, minutos parecem horas, o tempo parece não andar...



O “agora”

Você consegue pensar no momento do agora? Santo Agostinho em seu livro de Confissões, perguntou “Quando pensamos no agora como palavra, ao falarmos a segunda sílaba, o “a” já é passado e quando fala o “ra” o “ago” já é passado... o tempo transcorre, flui...” Como você deve ter percebido, o tempo não pára, flui constantemente, e não conseguimos pensar num momento de tempo singular, o tempo parece indivisível. Medimos o tempo em segundo que é uma parte do minuto, que é uma parte da hora, que é parte do dia, que é parte de mês, que é parte de ano... Os “agoras” vão se acumulando, até se tornarem tempos longíquos, até a eternidade.



A grandiosidade do Universo

O Universo é imenso, para não dizer infinito. Milhares, milhões de galáxias, e nestas há milhões de estrelas. O Sol, que é nossa estrela, está a 144.000.000 Km da gente, aproximadamente. Nessa distância, a luz proveniente do Sol leva quase 8 minutos para chegar a Terra. Então, caso o Sol se apague agora, só iremos perceber daqui a 8 minutos! Uma estrela que está a 4 anos-luz de nós, caso exploda nesse momento, só iremos ver a explosão daqui a quatro anos!
Desses exemplos que mencionei, o que podemos concluir? É de que, quando olhamos para o céu, estamos olhando para o passado do Universo. Não vemos o seu presente.



Nós vemos o presente ao nosso redor?

Ampliando o exemplo do Universo, tudo o que vemos ao nosso redor não é o presente. Quando você olha para um carro, a luz que reflete em sua superfície e chega aos nossos olhos levam um lapso de tempo, e quando chega aos nossos olhos, uma informação vai ao cérebro. Tudo isso leva um tempo, curto, mas é um tempo. Nada é instantâneo. Toda informação se desloca, no máximo, a velocidade da luz. A relatividade nos mostra isso.

Tudo o que vemos, ouvimos não aconteceram no mesmo momento em que elas aconteceram. O que pensamos que é o “presente”, o “agora” é o passado de onde os eventos ocorreram e que será o “futuro” onde as informações ainda não chegaram. Presente, passado e futuro são ilusões, que dependem do referenciais. Mas são ilusões persistentes.



Nunca vivemos no agora

De uma forma geral, nunca pensamos no agora. Estamos sempre olhando para o passado ou tentando vislumbrar, prever o futuro e deixamos de viver esse momento singular que é o presente, que é impossível de pará-lo. O presente que agora escrevi já é passado! O tempo não pára!

2 comentários:

Dalma disse...

Olá!
Adorei seu blog.
Muito interessante e inteligente.
Os assuntos abordados são muito bem
explicados.
Parabéns!!!
Sei que aprenderei bastante com todos os assuntos relacionados.
Grande abraço

J. Carlos disse...

Na verdade inexistem o passado, o presente e o futuro, toda essa nomenclatura são metodologias humanas que funcionam como metáforas para o que ele designou tempo.