domingo, 21 de setembro de 2008

Visões místicas

Visões místicas



Em todos os lugares e em todas as épocas, aparecem relatos de pessoas sobre visões místicas, ou proféticas, parecendo revelações ou contatos com a divindade. Vou expor alguns casos e fazer algumas observações importantes.



Visões de católicos

No mundo cristão católico, aparecem muitíssimos casos de "aparições" e "revelações" de Jesus, Nossa Senhora e outros santos. Em Portugal, por exemplo, três crianças tiveram a visão de Nossa Senhora, Maria, mãe de Jesus. Nesse encontro, Maria teria revelado às crianças que era preciso orar muito para salvar a humanidade, rezar muitas vezes o terço. E que revelou à Lúcia, que era uma das crianças, alguns eventos futuros do mundo e lhe fez, também, uma descrição do que seria o inferno, onde as almas dos incrédulos e malvados iriam. O inferno, segundo tal revelação, é um lugar quente e de tormento inferno.

Para citar mais um caso, uma freira sonhou com uma irmã dela que já havia falecido e, segundo ela, quando era vivia não frequentava a igreja e era promíscua. No sonho dessa freira, a irmã lhe disse que estava no inferno, que era um tormento imenso, insuportável, e que se arrepende que ao longo da vida não tenha frequentado a igreja.

Existem milhões de relatos como os que eu citei acima: Visões de Nossa Senhora (Lourdes, Fátima, Madjugore, entre outras) e visões do inferno.



Visões em outras religiões

Não só entre os católicos que aparecem tais relatos. No Islã, visões sobre o profeta Maomé aparecem frequentemente. Entre os cabalistas judeus, visões sobre o profeta Elias, o patriarca Abraham e Moisés e, com a Torah. Os budistas têm visões, sonhos com Sidartha Gautama ( o Buda ). Os hindus com suas divindades (Brahma, Shiva, Vishnu).

Ou seja, em todas as culturas aparecem relatos de aparições e revelações místicas.



O que podemos questionar?

É interessante notar que, quando se questiona a pessoa que teve a "visão profética ou mística", se tal é autêntica e genuína em relação a uma verdade revelada pela divindade, elas respondem afirmativamente. E ainda mais: que as visões em seus círculos religiosos (católico, judeu, budista) é verdadeiro e que o relato de visões de outras culturas são alucinações desprovidas de nexo e coerência e não condizem com a realidade. Engraçado que, para os católicos é natural Maria aparecer à três crianças num vilarejo em Portugal e um absurdo Buda aparecer para monges. Ou seja, cada um "puxa a sardinha para o seu lado", validando as que interessam e descartando outras.

Alguns questionamentos pertinentes àqueles que acreditam em tais visões são:

-Podemos reparar que as aparições de Maria são sempre em AMBIENTES CATÓLICOS. Por que ela não aparece num local onde há judeus ou muçulmanos? Já que ela quer enviar uma mensagem de paz ao mundo, acho que ela deveria enviar tal pedido ao mundo inteiro, e não alguns. E ainda mais: seria interessante que ela aparecesse em meios não-católicos para que levasse mais pessoas ao conhecimento da "verdade".

-Por que católicos não tem visões com Buda? E budistas não têm visões com Jesus e Nossa Senhora? E os judeus não têm visões com Maomé?



Algumas respostas

Gershom Scholem, um dos maiores estudiosos das correntes místicas do judaísmo, tem uma explicação para os questionamentos que expus acima. Com muita sensatez, em seu A CABALA E SEU SIMBOLISMO, ele escreve:

"O caráter conservador, tão frequente no misticismo, depende largamente de dois elementos: a própria educação do místico e seu guia espiritual. (...) Quanto à educação do místico, ele quase sempre carrega dentro de si uma herança antiga. Ele cresceu dentro do quadro de uma autoridade religiosa reconhecida e, mesmo quando começa a olhar independentemente para as coisas e procurar seu próprio caminho, todo o seu pensar, e especialmente sua imaginação, continuam permeados de elementos tradicionais. Ele não pode deitar fora facilmente a herança de seus pais, e nem mesmo tenta fazê-lo. Por que é que um místico cristão sempre tem visões cristãs, e não as de um budista? Por que é que um budista sempre vê as figuras do seu próprio panteão e não, por exemplo, Jesus ou Madona? Por que é que um cabalista, em busca da iluminação, se encontra com o profeta Elias e não com a figura de um mundo estranho? A resposta é, evidentemente, que a expressão da experiência de um místico é por ele mesmo transposta para a símbolos do seu próprio mundo; e isto ocorre mesmo que os objetos destas experiências sejam essencialmente iguais e não, como gostam de supor alguns estudiosos do misticismo, sobretudo católicos, fundamentalmente diferentes. Embora reconhecendo diferentes graus e estádios de experiência mística, e um número ainda mais variado de possibilidades de interpretação, um não-católico tende a ser extremamente cético para com as repetidas tentativas feitas por católicos dentro da linha de sua doutrina no sentido de demonstrar que as experiências místicas das várias religiões repousam sobre fundamentalmente inteiramente diversos." (A cabala e seu simbolismo, Gershom Scholem, pag. 24)

" expressão da experiência de um místico é por ele mesmo transposta para a símbolos do seu próprio mundo". Muito correto o afirmado por Scholem. Por isso podemos explicar os casos que citei logo no início do tópico. Três crianças, imersas num ambiente católico, criadas, influenciadas sobre conceitos de Maria, como uma mulher resplendorosa, com aspecto suáve, favoreceu a visão dos jovens. E sobre a freira que recebeu a carta do inferno? Ao longo de toda a sua vida, inculcada sobre a existência e o medo de ir ao "fogo infernal", logicamente iria sonhar com o inferno. E ainda mais para passar a mensagem de que a irmã foi para o inferno pois não frequentava a igreja. No caso, essa freira vive num quadro de uma autoridade religiosa reconhecida, a Igreja Católica, que diz que quem não frequenta a sua Igreja irá para o inferno.

Um comentário:

Vanessa disse...

Deus de tempos em tempos envia num espaço de mais ou menos mil anos um Educador Divino e desde que temos relato, Ele o faz desde Adão. Adão não foi o primeiro homem a existir na Terra. Isso contradiz a Ciência, e durante muitos séculos, uma briga com a outra querendo provar suas razões e conceitos. Adão foi o primeiro homem a ter consciência. Ele vivia no "paraíso", mas paraíso era a sociedade em que se vivia, que todos podiam fazer o que quisessem, não havia leis, nem certo e errado. De Adão, nasceu Eva, e Eva, não era primeira mulher de carne e osso, Eva era sua consciência. Deus fez um acordo com Adão e revelou Sua Lei, que não poderia Adão comer do fruto proibido (a maçã), um fruto simbólico. Adão, tentado pela serpente, que nada mais é o Ego do homem, aquilo que o homem usa para justificar suas más ações, desobedeceu a Deus, e se viu nu. A nudez aí, demonstra sua vergonha por haver desobedecido a Seu Criador, então Adão foi expulso do Paraíso (paraíso este, que agora através de sua consciência e pensamento, não mais poderia existir; como vê, este paraíso não é um lugar físico) ...Ora, não somos hoje, a humanidade de milhares anos atrás que acredita que esta história possa ser interpretada ao pé da letra, mas sim, que ela tenha algum significado histórico e espiritual. Adão foi o primeiro homo sapiens sapiens.(inspirado no Livro da Certeza - Bahá´ú´lla´h)


Onde quero chegar??


Não podemos igualar a história que se encontra em Livros Sagrados, Antigo Testamento (Abraão,Moisés) Novo testamento (Cristo),ZendAvesta (Zoroastro), Torah (Moisés), Alcorão( Maomé) com que fulano, ciclano ou Beltrano diz ter acontecido para provar sua religião, como a carta que veio do inferno para a freira.



Nos primeiros, há tanto visão profética (das profecias), como a da Revelação.



Exemplo de visão profética:



"Pois se levantará nação contra nação e reino contra reino. E haverá fome e terremotos em todos os lugares. Tudo isso será o princípio das dores." Mateus 24; 6-8
Isso é uma profecia cumprida, Primeira e Seguna Guerra Mundial, e não termina aí, ainda haverá muitas dores.





Exemplo da Revelação:



"E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia; pelo que disse: Agora me virarei para lá e verei esta maravilha, e por que a sarça não se queima. E vendo o Senhor que ele se virara para ver, chamou-o do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés! Respondeu ele: Eis-me aqui".

Deus apareceu no meio da sarça e apartir daí Deus orientou Moisés de como tirar o povo de Israel da escravidão de Faraó no Egito.



Na segunda, (a da freira) apenas uma interpretação pessoal, uma experiência mística talvez, que não me cabe julgar.



Estes Manifestantes Divinos estiveram nesta Terra em épocas diferentes. E mesmo que um budista pudesse ter "visões" de Maomé, qual sentido para ele teria? Maomé teve seu significado e Sua mensagem se destinava ao povo árabe. Qual mensagem traria, se ele de fato não conhecesse a essência da outra Religião? Passaria desapercebida como um delírio, não? Como um pesadelo sem nexo, que as vezes nós temos e não damos bola...

Daniel teve suas visões e profecias, Mateus e tantos outros seguidores fervorosos e fiéis ao Seu Educador também tiveram...
O fato é que, não somos seres apenas materiais, temos nossa natureza espiritual, em uns mais aflorada em outros, mais velada, mas não podemos chegar aos pés de um Profeta, nem tão pouco de um Mensageiro de Deus.


Não acho que se puxa sardinha quanto a religião, acho que antes de tudo devemos respeitar as experiências místicas de cada um. Pois, ninguém é dono da verdade . Deus nos fez diferentes, por que assim O quis. E devemos respeitar e aprender amar estas diferenças.



Se uma religião toca seu coração, se é a água que mata Sua sede, segue firme Teus passos. Quando não te satisfizer, não pare de buscar, não olhe o que os homens fazem em nome da Religião, continua tua busca, até sua alma encontrar conforto.



Buda, Maomé, Moisés, Cristo, Báb, Bahá ´u´llah são os raios de um mesmo Sol e vieram para iluminar com Seus ensinamentos a humanidade.